Esse me incomoda de um jeito especial, porque a vítima era uma de nós — quase. Te passo porque preciso de alguém que respeite o trabalho dela e não passe nada batido.
Irene Mendonça, perita judicial respeitadíssima, encontrada morta no escritório em Vila Formosa. Chá com digitalis — a mesma substância que ela analisava em tantos laudos. A perícia está tratando como suspeita, não como acidente.
Juntei o material dela, os depoimentos e uma matéria antiga que fala dos hábitos dela — presta atenção nos detalhes de rotina, porque com a Irene os detalhes são tudo. Ela mesma teria resolvido isso pelos detalhes.
Irene Adler Mendonça, perita em documentos forenses, foi encontrada morta em seu escritório. Infarto, dizem. Mas alguém deixou um detalhe para trás — pequeno o suficiente para ignorar, grande o suficiente para condenar.
Irene Adler Mendonça, 52 anos, uma das peritas em documentos forenses mais respeitadas do São Lucas, foi encontrada morta em seu escritório particular na terça-feira, 11 de março de 2025. Causa oficial: infarto. Mas o médico legista notou algo que não batia — e a investigação foi aberta.
Perfil profissional publicado meses antes da morte. Fotografia da perita em seu escritório.
Processo: ação de indenização (partes em sigilo)
Perita: Irene Mendonça
Matéria sobre uma exposição itinerante de autor anônimo. Nota de rodapé curiosa sobre as cidades por onde passou.
Recibo de livros e revista da vítima.
Convocação de assembleia do prédio do escritório.
Registro inicial. Irene encontrada pela assistente Beatriz às 08h20. Estado do escritório, posição do corpo e primeiras observações da cena.
Glicosídeo cardíaco detectado. Ação característica: parada cardíaca que imita infarto natural. Tempo de ação: 6 a 14 horas após ingestão.
20 anos de carreira. Especialista em autenticidade documental. Trabalhou em casos de alto perfil. Canhota. Metódica. Sem inimigos declarados — até recentemente.
Cliente e amigo de Irene há 12 anos. Apresentou-se espontaneamente à delegacia. Trouxe informações sobre outros suspeitos. Cooperativo, articulado, emocionado na medida certa.
Pasta encontrada no arquivo ativo de Irene. Análise de documentos de sentença judicial. Cliente identificado apenas como "J.F." — juiz federal. Conclusão: falsificação confirmada.
Encontrou o corpo. Admite estar escondendo algo sobre a noite anterior. Nervosa. Chora quando perguntada sobre o ex-marido de Irene.
Separados há 4 anos. Beneficiário do seguro de vida de R$1,4M. Viagem a Buenos Aires confirmada por passagem — mas com escala de 6h em Brasília.
Irene estava analisando documentos ligados a contratos do escritório do senador. Advogado presente em todos os depoimentos. Recusa perguntas específicas.
Filha de Caio Vernet. Trabalhou com Irene por 2 meses como estagiária. Tinha crachá de acesso ao escritório — expirado há 3 semanas.
Cobertura de R$1,4M. Beneficiário: Rodrigo Adler (ex-marido). Cláusula: mantido por acordo de divórcio até 2027.
Reuniões marcadas, clientes atendidos. Uma entrada enigmática: "J.F. — decisão final — quinta". A quinta seria dois dias após a morte.
Lista de visitantes do prédio na noite anterior à morte. Câmera da entrada registrou todos os que entraram entre 18h e 23h.
ONLINE · Delegacia do Centro Cívico · Caso #CWB-2025-001
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